
Branco é a cor...
O agudo acento
a imperar nos trajes...
E nas flores
levadas pelo mar.
Paz, ele sugere...
Contritos, circunflexos,
homens e mulheres
cavam buracos na areia...
Protegem do vento
a chama das velas, -
acesos travessões na vertical
do tempo...
Conexão com o divino?
Nessa noite,
as praias estão assim...
Templo de diversões,
parque de orações,
onde tudo que há de melhor
se aguarda...
A esperança embriaga.
Tem que haver alguma coisa
errada
numa história que começa
por números
contados de trás para frente,
ainda que soem
em palavras;
em alegres parênteses!...
Abraços, apertos de mãos, beijos...
- achados e perdidos
nessa fenda do tempo...
Indivíduos sem ego,
ao menos sob esse céu
de metáforas brilhantes e coloridas, -
traduzidas
em incontidas exclamações...
Quem quer,
ou consegue,
lembrar que, nesse mesmo momento,
muitos nem têm um céu para olhar?...
Apenas choram a falta de estrela?...
Quem?...
Ah!... Isso... Agora não!
Essa é a hora
do todos com todos
que, no frigir dos povos,
são só alguns...
Este é o tempo,
em que não cabe
vírgula
ou interrogação.
O instante
em que sapatos
estão calçando mãos!
Tudo que esses pés
descalços, livres, desejam
é pisar as ainda úmidas reticências, -
incontáveis grãos de dúvidas...
Se possível, esquecê-las.
Quem quer saber
que ontem,
o hoje foi o amanhã...
Quem?...
Orgasmos...
foram feitos para serem sentidos.
Momento fugaz
em que muito prazer,
e alguma paz,
se alcança...
O ponto
é desse encontro...
Só dele.
E ponto.
O músculo que pulsa
é um outro coração.
Um qualquer...
Tocado por tamanha emoção,
é artigo indefinido...
Só há espaço
para o que é bonito.
Nenhuma verdade feia
pode se dar ao luxo
de aparecer...
logo agora!?
Assim, dá-se um passa fora
nas aspas indesejáveis,
nas hipérboles
fora de hora,...
e o ontem vai-se
repetindo...
ju rigoni (1999)
Desejo-lhe um Ano realmente Novo, -
num mundo mais solidário,
mais humano,
mais justo.
Bjs e inté!
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