domingo, julho 24, 2011

Mandalas



Quando suas luas iluminam
o espelho das minhas águas turvas, -
e o que era meu deixa de ser meu
e passa a ser o seu mistério,
exulto...
e transpiro, receando o teor
dos inversos...

Linhas e entrelinhas
urdidas sob um sol de meio-dia,
e, em largueza ou estreiteza,
nem eu posso ver com clareza
a trama do m'eu tecido...

Do que teço nem um terço
me pertence...

Minhas palavras,
cruéis, profanas ou benditas,
nunca foram
nem me serão fiéis...

O que lhe vai por dentro
é o s'eu terço...
Um terço que não conheço;...
que pode estar para além
das margens onde se deitam
minhas letras...

Benditos óleos
por onde escorregam minhas palavras
dando passagem ao que desconheço...

Benditos os olhos
que em verdades ou miragens
inquietam-se diante da minha paisagem...

ju rigoni (2005)


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18 comentários:

Ana Lucia Franco disse...

Ju, que poema. Palavras portais desse teu indecifrável, infiéis embora exatas na tua expressão. Coisa linda, minha amiga, bendita palavra e a tua inspiração.

bj, bom domingo!

Rogério Pereira disse...

Do que teçe nem um terço
lhe pertence
(mas quase...)

Suas palavras,
cruéis, profanas ou benditas,
nunca foram
nem me serão fiéis...

O que lhe vai por dentro
é terço dele...
Um terço que diz não conheçer...

O outro terço, onde onde foi parar?
Sendo que a ele basta um terço dela
Para a tanto a amar...

Zélia Guardiano disse...

Magnífico, minha querida Ju!
Sentia saudade dos teus escritos...
Beijos, amiga, grande poetisa.

Lara Amaral disse...

Quando há entrega, refletimos o mistério do outro.

Lindo poema! Beijo, boa semana.

mfc disse...

Um poema intimista que reflecte os mistérios da compreensão do outro... e de nós próprios!

Guaraciaba Perides disse...

Oi,Ju, que bom estar de volta...obrigada por sua mensagens,O terço que nos cabe faz parte do nosso "eu" mais profundo, que se revela ou não e as vêzes também nos surpreende...aí entra o outro e decobrimos que o outro também faz parte de nós de uma maneira intrínseca e necessária, o que também nos une e amplifica a nossa condição de ser.Um abraço

vitorchuvashortstories disse...

Olá, Ju!

Bonita reflexão sobre o acto de dar forma de escrita ao pensamento.Das palavras a que damos vida mas não são nossas; que têm vida própria, e são muito mais do que aquilo que parecem ser: dependerá de quem as ler...

Lindo e inspirado; parabéns!

beijinhos.
Vitor

Tais Luso de Carvalho disse...

O entendimento de mim, do outro e do outro em mim.
Lindo, heim, amiga!! Inspiração sobrando... Cada dia melhor! E não poderei dizer que este é insuperável, e o próximo?

Um beijo e meu carinho pra você.
Tais Luso

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Mistério, angústia, entrega e muita
muita beleza, nas sutilezas, nas curvas, nas sombras das palavras bem ditas...

Sua poesia, me encanta, ju...
Meu afeto, inté

Fernanda disse...

As tuas palavras, quer sejam benditas ou profanas, serão sempre tuas e só os abençoados com este dom as tecem desta forma maravilhosa.

Parabéns amiga Ju.
Beijinhos

Sonhadora disse...

Minha querida

Como sempre saio daqui extasiada com as tuas palavras que me dizem tanto de mim...quanto de nós tatuamos em cada palavra em cada poema, adorei e deixo a minha admiração por ti e um beijinho com carinho.

Sonhadora

Mariazita disse...

Ju, querida amiga
Talvez não lhe pertença um terço do que tece… mas pertence-lhe por inteiro uma poesia de eleição com que nos brinda e com que saciamos a sede de beleza.
De acordo com a opinião da Tais só não direi que este poema é insuperável porque... haverá um próximo (espero que sejam muitos, e não apenas um...).
Parabéns, querida, de coração.

Um feliz restinho de semana. Beijinhos

manuela baptista disse...

benditos os poetas

a quem eu daria dois terços da terra
se ela fosse minha

um beijo

manuela

Sérgio Pontes disse...

Olá,

Vim agradecer a visita

Cumprimentos,

angela disse...

Maravilhoso, Ju.
Benditas palavras as suas.


PS Estou bem a família é que andou complicada, mas agora tudo vai indo bem. Obrigada pela preocupação.

beijos

Eliane F.C.Lima disse...

Ju,
Que inteligência o uso do apóstrofo nas duas estrofes! Que efeitos significativos conseguidos ali. Estou de "queixo caído", minha amiga, parabéns.
O poema todo é belo e desconcertante.
Eliane F.C.Lima

Maria Emilia Xavier disse...

Bendita és tu que derrama em versos tanta beleza,,,

ju rigoni disse...

À Ana Lúcia, Rogério, Zélia, Lara, Beth, mfc, Guaraciaba, Vitor, Taís, Lúcia, Fernanda, Rosa, Mariazita, Manuela, Sérgio, Angela, Eliane, Maria Emília...

sempre muito feliz em vê-los por aqui. Agradeço a visita e o comentário.

Bjs e inté!