Domingo, Fevereiro 13, 2011

Céu no Chão




O verde da grande floresta
é um verde ansiado, -
um verde invejado.
É o filho do avesso
por quem pagam qualquer preço
para chamar de seu.
Pudessem,… e a transplantariam.
(Sem filas ou autorização da família...)

É o filho sem pai, sem controle,
o filho em má companhia,
o filho que recende a álcool.

É o alimento indigesto,
o pão do ignorante,
e daqueles que têm instrução
mas não têm vocação
para o dinheiro honesto.

Não têm filhos esses homens?!…

De tão imponente parece onipotente
esse deus desde sempre plantado
em solo minado pelo interesse estrangeiro
e pelo mau brasileiro.

No chão onde se ergueu esta nação
(Verdade seja dita!)
há mais que mistérios e lendas, -
há cura para todos os males,
exceto para a própria ferida.

Não. Ninguém dá ouvidos
aos gritos aflitos da mãe-natureza…
Jogam-lhe ao colo as filhas mortas, -
tão lindas e tão indefesas.

Dóceis, submissas, mansas,
sob o fio da ganância,
as árvores caem.

Machado, serra, fogo…
Eis a cruz
e a mater dolorosa.

Envia a espessa fumaça
sinais estranhos aos índios…
Aves em revoada,
animais em disparada…
As vozes da bicharada
no crepitar da morada,
anunciam novo inferno.

E ao dia seguinte,
sobra o funesto castanho,
cheirando a morte matada,
manchando o divino verde
dos que reinam sem coroa…

Um olhar,
um simples olhar,
descompassa o coração
de quem já cansou de chorar.

Ali, o rio que é mar;
aqui, as lágrimas...
em extinção.

Ora bolas, que estou fazendo?
O que podem algumas letrinhas
miúdas, pequenininhas,
contra tão imenso drama?
O que posso, além de escrever,
além de, assim, impotente, -
coração e mente em chamas -,
arder nestes versos tortos,
solidários com a floresta?

O que posso além do desejo
de um futuro diferente
em que os netos dos nossos netos
aos netos possam falar
de uma história de régias vitórias
boa de ouvir e contar?

A história da floresta encantada
que venceu dinheiro, arrogância,
descaso, ignorância, -
a falta de Educação -,
para reinar soberana
sobre todas as florestas…

Ainda gigantesca,
ainda poderosa,
ainda linda…
Ainda nossa.

Era uma vez um talvez,
sem portas de entrada ou saída,
e sem mais com quem contar...

ju rigoni (sem registro de data)

...

imagens via google.


Leia, por favor:

Peço ao amigo(a) que reflita sobre o tema do post publicado no blogue
da Sueli Gallacci, A Cor da Gente, e ajude no que for possível.
Desde já, agradeço o carinho da sua atenção. Bjs e inté!



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14 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Ju
Ainda...
Mas não sabemos por quanto tempo ela vai aguentar. A ambição econômica, ultrapassa qualquer limite da racionalidade.
Bjux

Guaraciaba Perides disse...

Infelizmente o Brasil já nasceu sob o espírito da expropriação e ohegamos agora aos últimos redutos
de riquezas naturais. devemos sim fazer alguma coisa antes que se torne um país de terras arrasadas. Um bom começo será pela educação e pela limpeza generalizada da corrupção e da ganância pelo dinheiro fácil.Mais seriedade nas políticas públicas e mais campanhas democráticas de esclarecimento e mobilização da população para assuntos que realmente importam para que continuemos um país de grandes vegetações nobres e não destruída pela tiririca da ignorância. Um abraço fraterno

Colecionadora de Silêncios disse...

Ju, querida poetisa e amiga... que bom é poder estar aqui e ler essa grandiosa poesia, com a qual vc nos presenteou.

A Mãe Natureza grita e implora por socorro e é muito triste pensar em tudo isso. Mas, a voz dela aqui no seu poema tornou-se tão linda...

Vc escreve divinamente, querida. Parabéns por essa obra de arte!

Um grande abraço e o meu desejo de que a sua semana seja iluminada... (e de que o homem ouça o chamado da Natureza e a proteja, cada dia mais...)

A.S. disse...

Um poema que é um grito!
Será que estarão todos surdos?
Até quando a ambição dominará a sensatez?
Será que estaremos condenados morrer asfixiados pela estupidez?

Abraço!
AL

Tais Luso disse...

Amiga querida, hoje não vim, ainda, ler sua postagem: vim apenas lhe agradecer, foi com você que comecei a parceria para unir os nossos amigos blogueiros em torno do problema de nossa amiga Sueli Gallacci.

Você é especial, é sensível e solidária. E quero deixar no seu blog o meu carinho pra você.

Como você está vendo, muita gente está prestando sua solidariedade, estão colocando a 'chamada' em seus blogs. Um dos mais belos sentimentos é a solidariedade.

Como é bom quando conseguimos diminuir a dor de alguém...

grande beijo,
Tais Luso

Tania regina Contreiras disse...

Letrinhas miúdas em tuas mão crescem, se agigantam e tocam quem te ler. É um canto, Ju, um lamento, e que os ventos o levem bem longe e muitos possam ouvi-la, querida poeta!
Beijos,

angela disse...

Comovente poema amiga como só você consegue fazer.
Saudades
beijos

POESIAS EM FOCO disse...

um texto marailhoso, sempre muito bom passar por aqui.

Nilson Barcelli disse...

A sustentabilidade dos recursos naturais é uma urgência urgentíssima.
Daí que o teu poema seja uma gota a acrescentar a uma opinião pública cada vez mais consciente da finitude dos recursos.
Excelente poema, querida amiga Ju. No conteúdo e na forma.
Beijos.

Tais Luso disse...

Ju, é triste ver nossas matas queimadas, nossas madeiras roubadas, nossos rios poluidos. Mas fazer o quê diante das vistas grossas das autoridades que deveriam cuidar do que é nosso? Estamos destruindo o planeta, e acho que certas coisas não têm mais volta porque seu curso só avança. É aquela coisa, amiga, o que está longe, o que não é de ninguém todo o mundo se serve. Mas enganam-se: A natureza é nossa, e já está dando seu troco. Poucos, na verdade, são os que falam em preservar; para outros, tanto faz como tanto fez; e pra muitos, vamos tirar nossa fatia!

Teu poema é um grito verde, dolorido.
Beijos, amiga.
Tais Luso

Sonia Pallone disse...

O homem engravidou a natureza e ela gerou um monstro! É isso... Parabéns querida pelo poema contundente. Bjs.

Vinicius.C disse...

Olá!!

Venho agradecer seu carinho e desejar um ótimo fim de semana!

Nos encontramos no Alma!

meus instantes e momentos disse...

infelizmente o ser humano não olha nunca em volta de si mesmo...
Tenha um final de semana feliz.
Maurizio

ju rigoni disse...

À Wanderley, Guaraciaba, Patrícia, Albino, Taís, Tania, Angela, Vantuilo, Nílson, Sonia, Vinícius e Maurizio agradeço pela visita e comentário.

Bjs em todos. Inté!