
A guerra é o terror
a que o cidadão privilegiado, -
educado(?),
bem alimentado,
informado(?),
a salvo(?),
em pijama,
assiste refestelado na cama,
ou no sofá da sala,
a bebericar uísque
ou cerveja,
franzindo a testa,
em meio ao bocejo,
e exclamando, sem ênfase:
- Que horror!
Que horror!...
Escolhidos os alvos
dispara-se tantas vezes...
Banalização é arma
dos poderosos, -
interessa à indústria
em que se tornaram as guerras.
Que delas não se faça
equivocadas leituras...
Não são decididas
no front das batalhas,
em meio a sangue
e destruição;
e sim em reuniões,
fechadas
onde são utilizadas
armas antigas
tais como papel, caneta,
palavras,
em nada sagradas,
e... poderosas assinaturas.
Tudo pré acertado;
não há negociação.
(De um lado e de outro,
mães a perderem seus filhos, -
mais e mais meninos a morrer
pensando lutar pelas mesmas causas
de seus generais...)
Quem quer saber do que já sabe?...
Ora, no mundo de hoje
há conflitos mais interessantes...
Melhores que videogame,
ou qualquer filme de ação!
Nem é preciso sair de casa;
basta abrir uma das janelas...
Guerra não vence
a audiência da guerrilha urbana
nos jornais da televisão.
Então, viva a guerrilha urbana!
Mata rico, mata pobre,
mata civil, militar,
mata fiel, pastor, padre,
mata criança, adolescente,
idoso, poeta, estudante,
professor, jornalista,
mata político, mata bandido!,
comerciante, cliente, -
mata todos, mata tudo,
sem diferença,
- sem preconceito! -,
mata qualquer esperança;
mantem na ordem do dia
o verbo exterminador.
Isto, sim, é adrenalina,
a droga do novo milênio...
Guerra...
Onde? Lá? De novo?
Ah, muda de canal!...
Não há novidade na geometria...
Retângulo versus círculos;
o circo da guerra
onde, há tempos,
a matemática,
em algarismos e espetáculos,
deitou a fritar em maldito óleo
qualquer esperança de paz.
Domadores,
trapezistas
malabaristas,
equilibristas
sobre a corda esticada,
tensa;
em total desequilíbrio,
enquanto o resto do mundo,
aqui, o respeitável público,
em estado inercial,
dança com a notícia, -
o "mantra" que insiste
em pisar-lhe os pés...
(Que falta faz um jazz!...)
Se de um lado e de outro
D’eus é amor,
digo, é maior,...
por onde anda a verdade?
A paz, impotente,
não se levanta.
Está,
como sempre esteve,
vencida;
na lona!
Certas guerras
dispensam novos roteiros;
não saem dos primeiros capítulos!...
E se aquela audiência vai mal,
acredita-se nas surpresas
da guerrilha que está logo ali,
na esquina,...
e da novela que passa depois do jornal...
Em meio a tal arsenal
de significados,
seria insano perguntar
o que é
ser humano?...
ju rigoni (sem registro de data)
Foto obtida via google
Visite também
Dormentes, Medo de Avião, Navegando...




15 comentários:
Oi Ju,
Insana a guerra. O absurdo dói em todos nós. E o teu verbo forte, direto e incisivo é expressão poética brilhante dessa dor.
abrs!
Não tenho palavras para esta realidade, para este poema... Vc disse tudo!
Beijos.
Muito bem argumentado os seus versos... a nessa alienação estamos metidos, muitos omissos, outros no meio do turbilhão. E ainda nos dizemos humanos racionais...
Adorei a postagem!
beijos pra ti e uma ótima semana!
O ser humano é infelizmente isso tudo aí e ainda bem um pouco mais que isso. Também tem bondade, solidariedade e outras coisas a mais.
Lindos versos.
beijos
".{... .....}
E agora José?"
Beijos
De que guerras estamos falando?
Quantas são as guerras que se passam diante do nosso olhar telespectador?
Me lembrei aqui de "o menino do dedo verde", de Maurice Druon. Este garoto fica incomodado com os canhões que se utiliza nas guerras, e com seu dedo verde faz com q os canhões atirem flores em vez de fogo. Deveríamos plantar mais jardins.
Lindo e provocador seu texto. Vc foi provocando e fui vendo as várias guerras...E até me assustei com a percepção de algumas delas, algumas q fingimos ignorar.
bj
Ju, hoje você foi contundente. E de repente...foram só verdades faladas aqui. Guerras, até quando?
Beijos,
Tânia
Ju,
Esse seu poema, que está longe de ser enquadrado como "arte pela arte", mas, ao contrário, um poema com uma densa crítica social, que nos prende na sua leitura do seu início até o seu final, levando no seu bojo não apenas a crítica de fatos que estão registrados na História, mas, também, de fatos do nosso cruel quotidiano. É um poema que tem uma missão sócio-cultural, para que as injustiças não fiquem escondidas nos devãos da História.
Parabéns, Ju.
Abraços,
Pedro.
Além de poema é crônica do urbano, do local, do mundial, do contemporâneo. É bonito e ao mesmo tempo lamentável, pois nos desnuda a realidade.
Eliane F.C.Lima
Uma postagem maravilhosa....para além das palavras cheias de densidade...está a critica social...nua a e crua sem paninhos quentes e...sem rede!
Quando será capaz o homem de calar o medo e correr o risco de ouvir atentamente o sussurro de tanta hipocrisia??
Um dia...será tarde demais...e o tempo, já não terá tempo!
Beijo carinhoso.
Graça
Ju:
Teu poema é denso; fui lendo e foi passando pela minha cabeça o tanto que os humanos são cruéis, frios, e que nascem com o instinto de matar sem pesarem nas conseqüências de seus imundos e doentios atos. Já está tão comum a repetição exaustiva de tantos atos criminosos na mídia, seja na nossa cidade, seja no Oriente, seja em nosso país, que mudamos de canal, sim. Acho que ver e rever o que fazem estes doentes mentais, seja empunhando armas, seja assinando acordos imundos, torna-se pesado para vivermos assim. E assim será sempre. Se o homem não se importa em destruir onde vive, muito menos se importará com os que vivem.
Doloroso, mas verdadeiro poema.
Meu carinho, amiga.
Tais Luso
Oi Ju
Pesado, mas infelizmente real o seu poema. Será até quando?
Beijos
Ser humano é o medo de o ser. Falta-lhe o perfume despoluído da Humanidade.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Escrito e postado na Biblioteca Nacional, em 11/06/2010
etpluribusepitaphius.blogspot.com
Ju, eu acredito e deacredito. Ontem vi um filme de gente que cria cachorro de briga. Menina, fiquei apavorada....nossa...como pode!
À Ana Lucia, Larinha, Luciana, Angela, Cirandeira, Paula, Pedro, Tania, Eliane, Graça, Taís, Wanderley e Jorge Manuel, Wall,... obrigada pela visita e palavras.
Bjs e inté!
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