Domingo, Agosto 16, 2009

Almas Empedradas...




Tiro pela culatra,
faca de dois gumes,
arma aspirada
no cachimbo improvisado...
Dez a quinze segundos
percorrendo o caminho sem volta...
Neurônios virando nada...

Crack
não é apenas uma idéia
que desarranja idéias...
Não é só onomatopeia,
nem o som de pedras
queimando muito mais
que dinheiro...

Crack
é o lixo do lixo, -
é o lixo da cocaína.
É a merda como sina!

Não há tempo
para réplicas,
tréplicas,
súplicas...
Se a lei não se reconhece
em sua própria palavra,
reescreva-se a lei
para tratar mesmo àquele
que não quer ser tratado!

Crack
vida dura, partida ao meio
num meio que não é meio,
e sim precipício...
De um lado, a impotência do Estado.
Do outro, as consequências do vício.

O peso de uma pedrinha
é fardo muito pesado
no fado de quem quer que seja, -
ricos ou pobres,
viciados ou não...
Desgraça pouca é bobagem!...

Pelas ruas, desprotegido,
braços dados com o medo,
até mesmo quem não conhece
a escravidão dessa droga,
está sob o seu jugo,
e precisa jogar o jogo...
O prêmio? Manter-se vivo.

Crack...
a palavra é pequena
mas é grande o estrago, -
craca que se alastra no casco
de uma sociedade
sem preparo para enfrentar
esta nova idade da pedra.

Quantas pedras
ainda serão colocadas
sobre este assunto?
Quantos defuntos
estão deitados
sob essas pedras?...

Custa apenas uns poucos reais
esse prazer de morrer...
e matar por nada...
Matar pelo barato de morrer...

Um barato muito caro...
Muito caro.

ju rigoni (sem registro de data)


Visite também

Dormentes e Medo de Avião.

1 comentários:

Lobodomar disse...

Ju, boa noite.

Gosto, muito especialmente, desses versos em que o poeta vai além de si mesmo, captando o mundo ao redor.

De muita sensibilidade esse poema, em que, quase contraditoriamente, um problema tão drástico é exposto de forma tão bela.

Eu disse 'quase', porque é óbvio que uma das funções mais importantes da arte é a de nos fazer refletir.

E você consegue isso sempre, com muita maestria.

Beijo, Poetisa!